Erro Médico que Causa Cegueira ao Paciente: Uma Tragédia Evitável
18/06/2023Erro médico que causa perda de um membro ao paciente
18/06/2023O erro médico é uma situação alarmante que pode resultar em consequências graves para os pacientes e suas famílias. Entre as diversas complicações possíveis, uma das mais devastadoras é o estado vegetativo, no qual a pessoa perde a capacidade de interagir conscientemente com o ambiente
É essencial entender o que é o estado vegetativo. O estado vegetativo é um estado de consciência alterado em que uma pessoa perde a capacidade de interação e consciência de si mesma e do ambiente circundante. Os pacientes nesse estado apresentam respostas reflexas e podem realizar ações involuntárias, como abrir os olhos, mas não demonstram qualquer sinal de consciência ou cognição.
O estado vegetativo pode ser causado por uma variedade de fatores, mas um dos mais alarmantes é o erro médico. Esses erros podem ocorrer em diferentes estágios do tratamento médico, desde o diagnóstico até a administração de medicamentos ou procedimentos cirúrgicos. Algumas das principais causas incluem erros de medicação, falhas de comunicação entre profissionais de saúde, diagnóstico equivocado e complicações durante cirurgias.
O estado vegetativo não afeta apenas o paciente, mas também tem um impacto profundo na vida dos familiares. Fisicamente, o paciente pode requerer cuidados intensivos, como alimentação e higiene, além de monitoramento constante para prevenir complicações. Emocionalmente, a família enfrenta um grande trauma, lidando com sentimentos de tristeza, frustração, culpa e até raiva. A adaptação a uma nova realidade pode ser extremamente desafiadora, afetando a saúde mental de todos os envolvidos.
A responsabilidade médica é uma questão complexa e requer a comprovação de que o erro médico ocorreu e que esse erro foi a causa direta do estado vegetativo. Para isso, é necessário reunir evidências sólidas, incluindo registros médicos, depoimentos de especialistas e outros elementos que possam apoiar a alegação de negligência.
Sabemos que a ciência médica e os serviços prestados pelo médico são uma atividade de meio, em regra, porque o profissional da saúde não pode prometer a cura. O médico não contrai uma obrigação da cura, visto que ele não pode dá certeza que irá obter êxito na sua intervenção, sendo ela cirúrgica ou terapêutica. De certa maneira, resultados indesejados são naturais, pois estamos tratando de biologia, uma ciência que não tem resultados exatos, acreditando sempre que cada indivíduo é único.
Por isso, a relação da responsabilidade civil do médico é subjetiva, em regra, visto que terá que ficar comprovado a sua imprudência, negligência e imperícia do médico, para ser constatado um erro médico. No qual entende-se como: imprudência é quando se age de forma atabalhoada e sem a devida vigilância exigida; imperícia é quando age sem capacidade técnica para tanto; e negligência é quando agimos de forma omissa e sem o devido cuidado necessário.
A responsabilidade civil objetiva, se houver no caso concreto, assegura uma vantagem ao paciente, quando litigar sobre o tema, porque não terá que comprovar o que houve as três hipóteses acima, em regra.
Caso ocorra o erro médico, para compensar a dano, o juiz do caso pode determinar diversos danos, como por exemplo, o pensionamento da vítima, danos materiais, danos morais e danos estéticos. Essas formas de compensações têm caraterísticas únicas e separadas, podendo ser cumuladas em um processo judicial de erro médico.
A vítima terá sua atividade laboral impossibilitada, devido ao estado vegetativo, portanto, como forma de compensar, o juiz poderá determinar uma pensão alimentícia civil, com o critério do salário mínimo vigente ou pela remuneração recebida pela vítima. Não só isso, será necessário o acompanhamento médico, diariamente, por meio de um enfermeiro e de um acompanhante. Em alguns casos, até mesmo um familiar próximo pode receber este tipo de pensão.
Já em relação aos danos materiais, estes danos são relativos ao que a vítima despenderá ou que desprendeu durante todo tratamento, como gastos com medicamentos, contratação de profissionais, compra de órteses, próteses, como por exemplo maca hospitalar, equipamentos de monitoramento, e dentre outros gastos, sempre comprovados, sem a possibilidade de presumi-los.
Agora, os danos morais é uma forma de compensação do abalo e dor sofrida pela vítima, no qual é taxada, em quantia, pelo juiz no momento em que irá determina-la. O que é igualmente realizado nos casos de danos estéticos, no qual, implicará sobre os danos sofridos a integridade física.
Em Santa Catarina, O tribunal, atuou em um caso de erro médico que casou estado vegetativo do paciente. No caso, a criança recém nascida, devido a intercorrência no parto, por falha negligente dos médicos, sofreu danos severos neurológicos, fazendo com que a mesma ficasse em estado vegetativo. Em primeira instância, o juiz determinou que a parte a criança recebesse um valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais), de danos morais, pensão alimentícia de 4 salários para os genitores da criança, mais outra pensão alimentícia no valor de 1 salário mínimo, ao menor, inclusive com 13 terceiro, a partir dos 14 anos de idade até o fim da sua vida e restituição de R$ 500,00 reais de um equipamento médico comprado pelos pais. Os desembargadores, entenderam que era necessário alterar o valor de danos morais para R$ 180.000,00 (cento e oitenta mil reais) e além de majorar o valor da pensão alimentícia para 5 salários mínimos, devido o erro médico praticado, analisado no processo de nº 2011.095596-7.
Há outro caso, emblemático, em que foi analisado pelo tribunal de justiça do Distrito federal. A médico receitou ao paciente soro fisiológico, por erro da enfermaria, o enfermeiro aplicou um soro glicêmico. Logo após, o término do soro, o outro enfermeiro aplicou mais um soro glicêmico, mesmo após analisar o prontuário médico e ver que foi receitado soro fisiológico. Foi realizada a cirurgia agendada, realizada com sucesso. No dia posterior, o paciente veio a ter convulsões e parar de responder aos estímulos, entrando em coma hiperglicêmico. Diante disso, quadro o paciente teve hemorragia cerebral, e, consequentemente, ficando em estado vegetativo. Em decisão, o juiz determinou uma indenização por R$ 400.000,00 (quatro centos mil reais), mais 50 mil reais para dois familiares, no processo de nº 2012.01.1.197347-9.
Para evitar que haja prejuízos financeiros, como o citado acima, a prevenção é o melhor caminho para o médico. Embora seja impossível eliminar completamente todos os erros médicos, existem medidas que podem ser tomadas para reduzir o risco de erros que resultem em estado vegetativo. Algumas dessas medidas incluem:
Para evitar erros médicos que levam ao estado vegetativo, é essencial que sejam implementadas medidas preventivas. Os profissionais de saúde devem adotar uma comunicação clara e eficaz, garantindo uma troca adequada de informações entre os membros da equipe médica.
Além disso, a verificação de identidade do paciente, a revisão cuidadosa de medicamentos e a realização de diagnósticos precisos são fundamentais. A implementação de protocolos de segurança e a conscientização sobre os riscos associados a erros médicos também desempenham um papel importante.
Uma comunicação clara e efetiva entre os membros da equipe médica é essencial para prevenir erros que possam levar ao estado vegetativo. Isso inclui transmitir informações precisas e relevantes durante as transferências de turno, realizar uma comunicação eficiente entre diferentes especialidades médicas e garantir que as preocupações e informações do paciente sejam adequadamente compartilhadas. A implementação de ferramentas de comunicação padronizadas, como checklists e sistemas de registro eletrônico de saúde, pode facilitar a troca de informações e reduzir erros de comunicação.
A tecnologia desempenha um papel significativo na prevenção de erros médicos. A implementação de sistemas de apoio à decisão clínica, como alertas de interações medicamentosas e doses adequadas, pode ajudar os profissionais de saúde a tomar decisões mais informadas e evitar erros de prescrição. Além disso, a automação de processos, como a administração de medicamentos por meio de bombas de infusão programáveis, reduz o risco de erros humanos. No entanto, é importante que os profissionais sejam devidamente treinados na utilização dessas tecnologias para aproveitarem seus benefícios de forma eficaz.
A criação e aplicação de protocolos de segurança padronizados são medidas fundamentais na prevenção de erros médicos. Isso inclui a verificação de identidade do paciente antes de qualquer procedimento ou administração de medicamentos, bem como a realização de uma revisão completa dos medicamentos prescritos. A padronização de processos, como a marcação correta de locais cirúrgicos e a identificação de alergias do paciente, também são cruciais. A criação de uma cultura de segurança, na qual os profissionais se sintam encorajados a relatar erros e eventos adversos, é igualmente importante para aprender com as falhas e melhorar continuamente a qualidade da assistência.
A educação contínua é fundamental para atualizar os conhecimentos dos profissionais de saúde e garantir práticas atualizadas e seguras. Isso inclui o treinamento em habilidades técnicas, bem como a conscientização sobre a importância da segurança do paciente e a prevenção de erros médicos. A promoção de programas de educação e treinamento, como cursos e discussões em equipe, permite que os profissionais se mantenham atualizados com as melhores práticas e desenvolvam uma mentalidade de busca constante pela excelência.
Erros médicos que resultam no estado vegetativo do paciente são eventos trágicos e evitáveis. É responsabilidade de todos os profissionais de saúde garantir que medidas preventivas sejam implementadas para reduzir esses erros.
Através de treinamento contínuo, comunicação eficaz e uma cultura de segurança, podemos trabalhar juntos para proteger a saúde e o bem-estar dos pacientes. A segurança do paciente deve sempre ser a principal prioridade, e é essencial que os profissionais de saúde se esforcem para evitar erros médicos que causem danos irreparáveis. Caso aconteça, deve-se procurar ajuda de um advogado especializado em direito médico para auxiliar em todo o processo judicial.